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O que é um Gastroenterologista?

Publicado em: 27/06/2017

É o estudo da função normal e das doenças do esôfago, estômago, intestino delgado, cólon, reto, pâncreas, vesícula biliar, ductos biliares e fígado, que exige uma detalhada compreensão da função normal (fisiologia) do trato gastrointestinal, incluindo a condução de seu conteúdo através do estômago e intestino (motilidade), a digestão e absorção dos nutrientes para o nosso corpo, remoção de dejetos do sistema digestório, e a função do fígado como um órgão digestivo.  A Gastroenterologia se dedica ao diagnóstico e tratamento de diversas condições como pólipos e câncer do cólon, hepatites, refluxo gastro-esofágico (azia ou pirose), doença ulcerosa péptica, colites como a colite ulcerativa e a doença de Crohn, doenças da vesícula e das vias biliares, problemas nutricionais e de absorção como a doença celíaca, a síndrome do intestino irritável e pancreatites, além de outras doenças menos comuns que o gastroenterologista com sua experiência e seu conhecimento poderá identificar. Em resumo, o estudo de todas as atividades normais dos órgãos digestivos e suas doenças faz parte da Gastroenterologia.

Treinamento

No Brasil, para se tornar um Gastroenterologista é necessário que o médico cumpra as determinações do Programa Nacional de Residência em Gastroenterologia, que tem como pré-requisito a realização de uma Residência em Clínica Médica, de dois anos de duração. 

Os critérios de um Programa de Residência Médica em Gastroenterologia (PRMG) estão fundamentados nas recomendações da Comissão Nacional de Residência Medica (CNRM) do Ministério de Educação que recebeu influências das orientações aplicadas na América do Norte e Europa, e resultam do debate e da experiência coletiva dos centros formadores de gastroenterologistas no Brasil. A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), em 2010 divulgou os critérios essenciais para um Programa de Residência Médica em Gastroenterologia. A formação do gastroenterologista deve constar de dois anos obrigatórios (R1 e R2) e anos adicionais opcionais (R3), podendo ser um ano em Endoscopia Digestiva ou um ano em Hepatologia. Nos programas de Residência em Gastroenterologia, a carga horária anual deve ser de 2880 horas e dividida de forma que 80% a 90% correspondam a treinamento em Serviço e 10% a 20% em atividades técnico-complementares. Cerca de 10% a 20% tratarão de temas do conteúdo programático, podendo ocorrer sob a forma de reuniões clínicas, anátomo-clínicas, seminários, cursos de atualização e discussões clínicas. O programa deverá, obrigatoriamente, dispor das seguintes atividades e suas respectivas cargas horárias: Unidade de internação - mínimo de 30%; Ambulatório - mínimo de 20%; Urgência e Emergência - mínimo de 15%%; Serviço de Endoscopia Digestiva - mínimo de 15%. 

No link http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=6509-gastroenterologia-sesu-rm&Itemid=30192, podem ser encontradas todas as normas relativas à formação do Gastroenterologista, incluindo, além dos itens acima, as instruções quanto ao Corpo Docente, Conteúdo Programático, Estrutura Física, Objetivos e Avaliação das Competências e Habilidades Adquiridas e que foram publicados em 2010 pela FBG. Ao final do primeiro ano (R1), o médico deverá executar o processo de atendimento clínico ao adulto portador das condições mais frequentes e das mais graves em Gastroenterologia em nível emergencial e eletivo, ambulatorial ou sob internação hospitalar e conhecer as doenças gastroenterológicas e hepáticas mais frequentes, distinguindo sua gravidade para indicar internação, atendimento de urgência e emergência. O conhecimento básico das indicações e contraindicações dos métodos diagnósticos e terapêuticos, a compreensão dos princípios dos métodos de imagem (Raios-X, Ultrassom, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, Cintilografia – Medicina Nuclear), bem como realizar biopsia hepática transparietal, conhecer a infraestrutura envolvida nos exames de endoscopia digestiva, rotinas de sedação, desinfecção e orientações antes e após o exame, bem como reconhecer as imagens clássicas das doenças mais frequentes na gastroenterologia, geradas pelos diversos métodos de exame, incluindo a análise histopatológica de amostras de tecidos colhidas, os quais fazem parte dos objetivos específicos do treinamento.

Já ao final do segundo ano (R2), os objetivos específicos a serem alcançados incluem a habilidade de realização de anamnese, indicação de exames complementares para conduzir o diagnóstico e tratamento das doenças gastroenterológicas à luz da literatura médico-científica vigentes, reconhecer populações de risco para as principais doenças gastroenterológicas e ser capaz de atuar no sentido da detecção precoce ou de orientar medidas profiláticas para estes indivíduos; realizar exame de endoscopia digestiva alta e procedimentos mais simples relacionados; operar equipamento de ultrassom para confirmar pontos de punções em procedimentos e realizar biopsia hepática transparietal. Deve estar também consciente das indicações, contraindicações, custos e riscos relativos dos exames realizados em Gastroenterologia. Reconhecer imagens radiológicas e endoscópicas das doenças mais frequentes e saber interpretar laudos de patologia hepática, exames de imagem do abdome e exames laboratoriais no contexto dos casos clínicos estão também incluídos dentre os objetivos específicos da formação do gastroenterologista ao final de seu treinamento na Residência Médica, qualificando-o para o exercício da especialidade, bem como para a realização de pós-graduação strictu sensu (Mestrado e Doutorado). 

O que diferencia o Gastroenterologista?

Os Gastroenterologistas contam com a valiosa colaboração de sua Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), que lhes oferece programas de educação médica continuada, incentivo aos jovens gastroenterologistas, acesso ao site da FBG para se inteirarem das divulgações mais atuais em eventos científicos realizados no Brasil e no exterior, como o DDW, vídeos de palestras atualizadas sobre os mais diferentes temas dentro da Gastroenterologia, além de várias outras oportunidades de acompanhamento do progresso científico e que podem ser acessados aqui no site. A FBG promove anualmente a SBAD (Semana Brasileira do Aparelho Digestivo), em interação com a SOBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva) e CBCD (Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva), ocasião em que se integram outras associações dedicadas ao estudo aprofundado das áreas de atuação da Gastroenterologia como a SBH (Sociedade Brasileira de Hepatologia), GEDIIB (Grupo de Estudos de Doenças Inflamatórias Intestinais do Brasil), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Brasileira do Pâncreas (SBP), Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva (SBMD). 

Os médicos têm ainda na FBG a oportunidade de se submeterem às provas de avaliação para obtenção do Título de Especialista em Gastroenterologia, anualmente realizadas durante os principais eventos científicos patrocinados pela entidade. A FBG é filiada a Associação Interamericana de Gastroenterologia (AIGE) e a Organização Mundial de Gastroenterologia (OMGE), e possui duas publicações científicas, a GED e a revista Arquivos de Gastroenterologia,  além do Boletim  Informativo da Federação, a "Revista FBG",  que substituiu o "Gastren". A FBG estão integradas 22 Federadas em nosso país, com cerca de 4.500 filiados que usufruem de inúmeros benefícios em especial, manterem sua atualização científica e prestarem a seus pacientes uma assistência médica do mais elevado nível. É esta capacidade, alcançada pelo intenso treinamento acima citado, que permite uma mais completa, detalhada e humanística assistência aos pacientes acometidos de doenças gastrointestinais, e que diferencia os gastroenterologistas dos demais médicos que atuam em outras especialidades. 

Dr. Pedro Duarte Gaburri
Sócio Titular da FBG