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Teste Respiratório com Hidrogênio Expirado

Publicado em: 27/06/2017

Sintomas relacionados ao aparelho digestivo como náuseas, empachamento, eructação, inchaço abdominal, cólicas, flatulência excessiva, diarreia e constipação - em geral - são decorrentes de enfermidades benignas, que podem ser explicadas ou desencadeadas pela presença de intolerância alimentar e/ou disbiose (alteração da microbiota intestinal). Utilizamos o teste respiratório de hidrogênio expirado para diagnosticar estas condições a fim de tentar controlar estes sintomas utilizando dieta individualizada ou alterando a microflora intestinal. Recentemente temos visto na literatura médica uma dieta conhecida como FODMAP que exclui alimentos facilmente fermentáveis, como lactose, frutose e sorbitol. Supercrescimento bacteriano no intestino delgado é uma condição clínica com critérios diagnósticos bem definidos e muito prevalente entre pacientes com doenças digestivas, funcionais ou orgânicas.

Para quem o teste de hidrogênio expirado é recomendado?

Esse exame é de grande ajuda quando seu médico precisa preparar uma dieta com baixo teor de FODMAP ou para o diagnóstico de supercrescimento bacteriano no intestino delgado. Esses testes existem há anos, porém, não eram muito usados. O Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, foi pioneiro desta técnica no Brasil, realizando estes testes há mais de uma década.

Qual a base do teste de hidrogênio expirado?

O gás hidrogênio é produzido pelas bactérias intestinais. Estas bactérias produzem uma maior quantidade deste gás quando o carboidrato que ingerimos não é devidamente absorvido pelo intestino delgado, sendo fermentado e causando sintomas. Uma parte desses gases é expelida através de flatus e outra parte é absorvida pelos intestinos, passa para a corrente sanguínea e é exalado pelos pulmões durante o processo respiratório. A única fonte do gás hidrogênio é através da fermentação bacteriana. Cerca de 15% da população não exala hidrogênio, pois apresenta tipos específicos e exclusivos de bactérias que transformam o hidrogênio em metano. Os gases expirados são facilmente detectados por equipamentos específicos.

Então:

O hidrogênio encontrado em nossa respiração vem da fermentação das bactérias que podem ser encontradas no intestino.

A quantidade de hidrogênio e metano pode ser facilmente medidas em testes respiratórios.

Vale lembrar que se diminuirmos a ingestão de fibras e alimentos facilmente fermentáveis (baixo teor de FODMAP) por 24 horas, a maioria de nós não apresentará gás hidrogênio na expiração.

Um aumento do hidrogênio e metano na expiração após a ingestão de um determinado tipo de açúcar indica que esta substância não está sendo totalmente absorvida pelo organismo e/ou existe uma alteração da microbiota intestinal (disbiose).

Por que devemos realizar esse exame?

Quando realizamos testes respiratórios de hidrogênio, permitimos que o médico responda as seguintes perguntas:

O carboidrato ingerido foi totalmente absorvido pelo organismo?

Há supercrescimento bacteriano no intestino delgado?

Quando testamos carboidratos como lactose ou frutose, caso não haja aumento de nenhum desses gases no teste respiratório podemos concluir que estes carboidratos foram completamente absorvidos. Quando utilizamos glicose ou lactulose, um aumento precoce destes gases indica que houve um supercrescimento bacteriano no intestino.

Esse exame é fundamental para que o médico possa prescrever a dieta adequada a seu paciente e, com isso, controlar os sintomas.

Técnica e preparo para o teste respiratório

Esse teste é realizado com mais frequência pela manhã, porém, nada impede que ele seja realizado em qualquer horário, desde que o preparo seja realizado. 

- O paciente receberá instruções sobre:

Jejum, medicações que interferem no teste e sobre a dieta que deve ser seguida no dia anterior ao exame.

- Quanto à técnica:

1) O paciente sopra em um aparelho para que uma amostra de gás expirado seja colhida.

2) Um líquido adoçado é ingerido pelo paciente.

3) Em seguida, o paciente colhe amostras em intervalos regulares (que podem variar de 15 a 30 minutos) por aproximadamente duas ou três horas.

4) Durante todo o teste, o técnico perguntará ao paciente se ele está sentindo náuseas, borborigmo (deslocamento dos gases ou líquidos intestinais), inchaço ou dor abdominal, cólica, diarreia ou qualquer outro sintoma que pode ter sido provocado pela ingestão do substrato.

5) No final do teste, o paciente pode se alimentar e dirigir.

6) O protocolo preenchido pelo técnico será analisado pelo médico responsável pelo laudo (figs.: 1 e 2).

 

Fig. 1 – Teste respiratório negativo.

 

Fig. 2 – Teste respiratório positivo.

 

Quais são os carboidratos (ou açúcares) testados?

Recomendamos que sejam testados pelo menos três desses cinco substratos (seu médico indicará quais e qual a sequência):

1) Lactulose

2) Frutose

3) Lactose

4) Glicose

5) Sorbitol

Lactulose

O paciente ingere 10 gramas de lactulose. 

Açúcar sintético que não é digerido ou absorvido pelo nosso intestino.

Quais os motivos para a lactulose ser usada no teste respiratório?

Este teste determina quanto tempo o açúcar leva para percorrer o caminho do estômago até chegar no intestino grosso. Caso a quantidade de hidrogênio suba rapidamente, o diagnóstico de supercrescimento bacteriano no intestino delgado é confirmado. É importante lembrar que o exame da lactulose pode estabelecer o tempo estimado para o teste de outros carboidratos.

Frutose

O paciente ingere 25 gramas de frutose. 

Esta dose é administrada ao paciente para que o médico possa identificar a quantidade de frutose que o organismo é capaz de absorver e se induz o aparecimento de sintomas.

Lactose

Durante o teste o paciente ingere de 50 gramas de lactose.

O teste mostra se a lactose está sendo absorvida e se está causando sintomas.

Glicose

O teste da glicose também é indicado para confirmar a presença de supercrescimento bacteriano no intestino delgado. A glicose é um açúcar que é rapidamente absorvido no intestino delgado. O aumento de hidrogênio expirado após a ingestão de glicose confirma a presença de aumento exagerado de bactérias no intestino delgado. 


Como o médico interpreta o teste de hidrogênio expirado?

Utilizamos em nosso serviço valores de referência validados em grandes centros médicos dos EUA e Europa. Um aumento além de 20 ppm (partes por milhão) da primeira amostra para os testes de lactulose, frutose e lactose são considerados positivos. Para o teste com glicose, 12 ppm é suficiente para indicar positividade.

Como estes testes podem ajudar você?

Primeiramente, identificamos a presença de intolerância e/ou má absorção de carboidratos (lactose e frutose). Estabelecemos uma dieta diferenciada de acordo com seus sintomas e os resultados dos testes. Esta proposta evita restrições dietéticas inadequadas, levando à carência de nutrientes importantes para saúde como vitaminas e sais minerais.

E nos casos de teste com lactulose e glicose, quando positivos, controlamos o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, através do uso racional de antibióticos e/ou probióticos.

Dados da literatura médica demonstram melhora na intensidade e frequência dos sintomas em até 75%, especialmente aqueles desencadeados pela presença do excesso de gases. 

Preparo para Teste Respiratório com hidrogênio expirado

Quatro semanas antes do teste

- Não tomar antibióticos oral ou venoso (antibióticos tópicos para pele, olhos e ouvido estão liberados).

- Não tomar probióticos (ex.: Floratil®, Repoflor®, Prolive®, Simbioflora®, etc.). Iogurtes não interferem.

- Não ter sido submetido(a) à colonoscopia ou enema opaco (RX do intestino grosso com contraste).

Dia anterior ao teste

- Não ingerir leite ou derivados, mel, refrigerantes, bebidas esportivas (ex.: Gatorade®, I9®, etc.), bebidas alcóolicas ou sucos.

- Laxantes.

- Suplementação de fibras (ex.: Metamucil®, Benefiber®, Plantaben®, etc.).

-  Evitar ao máximo a ingestão de alimentos com alto teor de fibras*.

*alimentos com alto teor de fibras: aveia, arroz integral, feijão, linhaça, pão integral, laranja, maça, manga, ameixa, couve, repolho, agrião, berinjela, feijão, lentilha, ervilha, etc.

- Jejum após 22:00 (somente água está liberada).

Na manhã do exame

    - Não fumar ou realizar qualquer atividade física.

    - Trazer sua escova de dente.