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FBG - SERVIÇO ESPECIAL COVID -19 ED.9

Autor: Federação Brasileira de Gastroenterologia | Publicado em: 12/06/2020

É sabido que sintomas como anorexia e diarreia podem ser sugestivos de COVID-19, mas quando esses sintomas se acompanham de perda de olfato, perda de paladar e febre, a especificidade COVID-19 é de 99%, segundo trabalho publicado na revista Gastroenterology.

O estudo foi conduzido por Alan Chen e colaboradores da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, Baltimore, EUA. Trabalho prospectivo, controlado, com 340 adultos positivos (n=101) ou negativos (n=239) para COVID-19 (esfregaço nasofaríngeo) que foram contatados por telefone para a obtenção das informações pertinentes ao estudo.  Os resultados revelaram que a maioria dos pacientes era do sexo masculino e tinham índice de massa corporal (IMC) elevado.  A presença de comorbidades foi semelhante em pacientes com COVID-19 e os que se apresentaram negativos.  Por outro lado,  os sintomas gastrintestinais foram mais comuns nos pacientes positivos (74% vs 53%). Anorexia (53% vs 26%) e diarreia (50% vs 30%) foram encontrados em pacientes com COVID-19 em comparação com os pacientes negativos.  Náuseas, vômitos, dor abdominal e hematoquesia foram semelhantes em ambos os grupos.  Pacientes positivos para COVID-19 foram mais prováveis de apresentar perda de paladar (67% vs 14%) e febre (65% vs 44%). Os resultados concluem que, do ponto de vista digestivo, perda de paladar em pacientes COVID-19 foi um fator significativo.

 

Referência: Chen Alan et al. Are gastrointestinal symptoms specific for COVID-19 infection? A prospective case-control study frothe United States. Gastroenterology (2020). Doi: https://doi.org/10.1053/j.gastro.2020.05.036.

 

 

COVID-19: mortalidade elevada entre pacientes com doença hepática

 

Tendo em vista que até o presente, muito pouco é conhecido sobre o impacto do COVID-19 em pacientes com  doença hepática pré-existente, pesquisadores liderados por equipes dos hospitais  da Universidade de Oxford (National Health Service) e da Faculdade de Medicina da Universidade North Carolina, estabeleceram um registro internacional para coletar dados clínicos de pacientes com enfermidades hepáticas crônicas e cirrose que desenvolveram COVID-19.  Os dados de 21 países foram obtidos graças à colaboração do pessoal de saúde dos centros envolvidos na pesquisa que, além do trabalho diário, colaboraram para a obtenção cuidadosa das informações.

 

Entre 25 de março de 2020 e 20 de abril de 2020, 152 casos foram registrados, dos quais 95% foram hospitalizados.   Pacientes com cirrose apresentaram piores resultados com média de morte de 40%.  Aqueles com graus mais avançados da doença, "cirrose descompensada", foram os que tiveram índices mais elevados de morte, entre 43% e 63%,  em comparação com valor de 12% dos pacientes com doença hepática mas sem cirrose.

 

Mesmo quando foram considerados outros fatores de risco para maus resultados

como idade mais avançada, obesidade e hipertensão arterial, a gravidade da doença básica hepática estava associada ao aumento da mortalidade.

 

Outros resultados importantes chamam a atenção, como achados de nítida piora da função hepática (encefalopatia, ascite, hemorragias) em pacientes com cirrose e COVID-19.   Em 24% dos casos esse achado ocorreu mesmo na ausência de manifestações respiratórias.

 

Concluem que os achados presentes devem ser considerados preliminares e interpretados com cautela, uma vez que existem limitações como viés de seleção já que os casos mais graves e com pior prognóstico tendem a ser reportados. Desse modo, pacientes com cirrose e COVID-19 com bons resultados clínicos podem eventualmente não terem sido incluidos nos registros do estudo.

 

Moon AM et al. High mortality rates for SARS-CoV-2 infection in patients with prexisting chronic liver disease and cirrhosis: preliminary results from an international entity. J Hepatol (2020). https:// doi.org//10.106/j.hep2020.05.13.

 

 

Manifestações digestivas em pacientes graves com SARS-CoV-2

 

Com o objetivo de estudar os sintomas gastrintestinais em pacientes infectados com COVID-19 (SARS-CoV-2) com síndrome respiratória aguda grave, analisou-se 95 casos documentados.  Foram observados dados epidemiológicos, demográficos, clínicos e laboratoriais.   Para detectar a presença de SARS-CoV-2 nas fezes e em tecidos gastrintestinais, foi utilizada a transcriptase reversa em tempo real, PCR.

 

Dentre os 95 pacientes, 58 exibiram manifestações gastrintestinais, dos quais 11 (11,6%) ocorrem durante admissão e 47 (49,5%) durante o período de internação hospitalar. Diarreia (24,2%), anorexia (17,9%) e náusea (17,9%) foram os principais sintomas, com cinco (5,3%), cinco (5,3%) e três (3,2%) casos, respectivamente, ocorrendo no início da enfermidade.   Um número substancial de pacientes desenvolveu diarreia durante a hospitalização, a qual foi potencialmente agravada pelo uso de diversos fármacos, inclusive antibióticos.  Amostras fecais de 65 pacientes hospitalizados foram testados para a presença de SARS-CoV-2, inclusive 42 com manifestações digestivas e 23 sem queixas gastrintestinais, dos quais 22 (52,2%) e 9 (39,1%) foram positivos, respectivamente.

 

Foi realizada a endoscopia digestiva em seis pacientes com sintomas gastrintestinais, tendo revelado hemorragia com erosões e úlceras em um paciente grave. O RNA de SARS-CoV-2 foi detectado em amostras do esôfago, estômago, duodeno e reto de dois pacientes graves.  Em contraste, somente o duodeno foi positivo em um dentre quatro pacientes não-graves.

 

Os autores concluem que o trato gastrintestinal pode ser uma rota de transmissão e órgão alvo do SARS-CoV-2.

 

Referência: Lin L et al. Gastrointestinal symptoms of 95 cases with SARS CoV-2 infection. GUT 2020;69:997

  

 

Joaquim Prado P Moraes-Filho

Professor Livre-Docente FMUSP

Diretor de Comunicação - FBG



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