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AMB cobra do Governo decreto para restringir novos cursos de medicina

Publicado em: 12/03/2018

Melhorar a qualidade na formação dos médicos e impedir que as escolas sejam um balcão de negócios econômicos e políticos. É com esse intuito que a Associação Médica Brasileira (AMB) cobra do Ministério da Saúde uma moratória que impeça a abertura de novas escolas médicas nos próximos cinco anos. A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e outras entidades médicas apoiam a decisão devido à baixa qualidade dos profissionais que grande parte das novas escolas está diplomando, colocando em risco a saúde da população e sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde.

Em comunicado à imprensa, a AMB esclarece que o decreto seria assinado Inicialmente no fim do ano passado, mas que foi postergado para o fim de janeiro deste ano. Mais de dois meses depois desse prazo, ainda não há sinal do ministério. No último dia 08 de março, o Ministro da Saúde Ricardo Barros esteve presente na sede da AMB, em São Paulo/SP, quando foi indagado pela Associação a respeito do decreto que estaria pronto desde novembro de 2017.

Segundo a AMB, o Ministro declarou recentemente em entrevista ao programa Roda Viva que a decisão de criar a moratória era do presidente da República, Michel Temer, decisão com a qual concordava. Na reunião do dia 08, Barros confirmou o que disse na entrevista ao programa Roda Viva e respondeu que: “saímos de 150 para mais de 300 cursos de medicina autorizados e, com o movimento das entidades, o presidente Temer anunciou que suspenderia por 5 anos a criação de novos cursos. Esta é a decisão do governo”. Sobre o motivo da demora, ele se comprometeu a verificar e “encaminhar para que isto seja consolidado”, e ainda complementou que “não foram somente novas escolas, tem escolas com 300 vagas, formando 300 médicos por ano”.

Posição da AMB

Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. Lincoln Lopes Ferreira, “a moratória não resolve tudo, mas ajuda muito a estancar o problema. A população precisa ter certeza de que, se um médico está formado e com um diploma, ele tem totais condições de atendê-la, independentemente de onde tenha estudado. A verdade nua e crua é que o ensino virou um balcão de negócios com o aval dos governos que administraram o Brasil nos últimos 20 anos, e a qualidade ficou em segundo lugar. Sessenta por cento são escolas particulares e cobram entre R$ 5 mil e R$ 15 mil mensais por aluno”, explica.


Fonte: Comunicação AMB